Um primo do meu conterrâneo Zé de Né está preso há três anos sem culpa formada porque seu pedido de liberdade ainda não foi apreciado pela justiça.

Azar dele. Se o nome dele fosse Lula da Silva, o problema seria resolvido num passe de mágica.

Lula consegue o milagre de botar juiz pra trabalhar até no domingo.

E faz mais: juiz de férias, na Europa, interrompe seu cruzeiro para se manifestar nos requerimentos de Luiz Inácio.

Neste domingo o brasileiro conheceu uma justiça a jato.

Assim que o desembargador plantonista deu o seu veredito, imediatamente o juiz de férias na Europa ligou para o delegado, dizendo a ele que não obedecesse a ordem superior. E ainda filosofou por escrito, pregando a desobediência, a insubordinação e a anarquia.

O colega do desembargador, que nem de plantão estava, proclamou que a decisão do colega não valia nada e mandou deixar o dito pelo não dito.

O desembargador primeiro não gostou da intromissão dos dois magistrados, o de primeira instância e o colega de Corte, disse isso no papel e voltou a determinar a soltura do preso.

E no mesmo domingo, apareceu o presidente do Tribunal onde os dois desembargadores trabalham, desmoralizou o plantonista e determinou que o habeas corpus fosse encaminhado ao magistrado que contestou publicamente o colega.

E o desembargador desmoralizado, como vai ficar?

Será essa  a justiça que nos restou?

Uma justiça engajada, partidária, parcial, a serviço de outros interesses que não o do povo?

Aguardo ansioso a chegada da segunda-feira.

Quero ver em que vai dar esse couro de pica.