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Numa verdadeira blitz durante a Copa, Temer entrega a Embraer e sua base aprova a venda de novos lotes gigantescos do pré-sal e de seis distribuidoras da Eletrobrás; embora o golpe seja uma tragédia para o povo brasileiro, patrocinadores estrangeiros recebem a fatura atestada e carimbada pelo governo brasileiro diante da paralisia cognitiva da Copa do Mundo.

A Copa do Mundo se mostrou muito útil a Temer e a seus sócios políticos do PSDB, de posse, ambos, do maior projeto anti-soberania já executado por um governo brasileiro.

A diversão da Copa aglutina toda a pauta noticiosa da imprensa corporativa que ainda tem o poder de conduzir parte significativa do debate público brasileiro – com sua estrutura, correspondentes e investimento pesado na prospecção tradicional de informações, ainda que ferozmente enviesadas por seus cães de guarda editoriais –, e deixa Brasília às moscas.

O senso de oportunidade do governo foi calculado e muito facilitado por esse comportamento subserviente e deslumbrado da imprensa tradicional. O rescaldo do prejuízo para o país beira o descomunal: campos imensos do pré-sal foram leiloados pela miséria habitual que as multinacionais costumam pagar a países sem governo e ao sabor da chantagem.

O deputado Carlos Zarattini denunciou nas redes sócias o descalabro que é o Congresso Nacional operar de maneira açodada e acelerada para cumprir o prometido do golpe às patrocinadoras de sua execução. Só em um dia, foram R$ 5 bilhões em cessões amplas do subsolo, repletas da atrativa incerteza de serem muito mais ricas e produtivas no que diz respeito à prospecção petrolífera. Ou seja: vende-se rapidamente e muito barato aquilo que é patrimônio imenso, estratégico e de longo prazo.

Não bastasse os campos do pré-sal, Temer se desfaz com a precipitação dos oportunistas de tudo aquilo que for possível vender antes do término de um mandato tampão e entreguista, com bônus para a janela da Copa, que hipnotiza uma classe média já anestesiada pelo golpe que patrocinou e sofreu.

Eletrobrás e Embraer entram na dança do ‘corre-corre’ para vender em ritmo de liquidação. Até o TCU, anteparo histórico para gerenciamentos de patrimônio público, foi devidamente domesticado e aparelhado por Temer e sua rede de chantagens: o Tribunal recolheu uma regulação que ele próprio instituiu há pouco mais de seis meses e desobrigou o governo de enviar informações para análise do Tribunal 150 dias antes da venda de algum ativo público.

Em suma, ficou muito fácil para o governo: Copa em andamento, imprensa amordaçada pela crônica esportiva e tribunais de controle adestrados como cãezinhos solícitos e bem educados.

Na xepa do golpe e nos interstícios da eleição truncada sob chantagem do judiciário, Temer entrega lotes e mais lotes de patrimônio como forma de agradecimento terminal em sua passagem por um Planalto que amarga os piores dias de sua existência.

Brasil 247