Para algumas famílias, o nascimento de uma criança é como um divisor de águas e traz muitas mudanças. Nove meses para gerar um filho já parece um bom tempo, a exaustão e ansiedade chegam a ser sentimentos diários nesse caminho. No entanto, para muitas outras, a chegada da pessoa que pode completar a felicidade do lar acontece de forma diferente.

Após quatro anos de espera, pela conclusão do processo de adoção, o casal Marcos e Paula são pais do pequeno Mateus, que já demonstra amor com seus quatro anos de idade.

Hoje, segundo o levantamento da vara da infância e juventude, há aproximadamente 400 pessoas na fila de adoção na Paraíba para adotar uma criança. Quando um casal desperta o interesse na adoção, deve procurar, primeiramente, a Vara da Infância e Juventude da sua comarca, levando toda a documentação necessária e prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, preencher um questionário, e passar por um processo de entrevista e investigação sobre a capacidade de adotar do interessado.

Nutridos pelo desejo de serem pai e mãe, foi o que o casal fez, quando Paula descobriu que não poderia ter filhos devido a um problema de saúde.

O segundo passo é o cadastro do perfil solicitado pelos pretendentes. É preciso especificar, ou não, o sexo da criança, a faixa etária, cor da pele, aceitação ou não de doença congênita e aceitação ou não de grupos de irmãos.

Marcos e Paula, casados há dez anos, passaram pelo processo completo do sistema de adoção. Psicólogos, documentação, entrevistas. “Quem vê de fora, parece impossível a concretização do sonho da adoção infantil, mas é possível sim, a adoção não é algo impossível, pode demorar, mas o sonho de ser mãe através da adoção é possível”. O casal estava aberto a adotar uma criança até os cinco anos de idade, independente do sexo.

Para a advogada da área da família Lilian Sena. “as pessoas precisam desmistificar que a adoção é um processo complicado que é difícil conseguir a adoção de uma criança ou adolescente que vive em abrigo. O processo não é complicado, as pessoas que precisam simplificar as exigências e doar o amor que tem pra ser compartilhado”.

A adoção esbarra na preferência dos adotantes por crianças dentro de um perfil específico. O principal perfil que um adotante procura é criança do sexo feminino, com até dois anos de idade e com bom estado físico e mental, “geralmente as pessoas não querem adotar crianças com problema de saúde ou adolescentes”, conta Lilian. Com isso, o número de adotantes é bem maior do que de crianças e adolescentes disponíveis.

Casos de adolescentes que conseguem ser adotados ainda são muito raros, na maioria das vezes eles permanecem nos abrigos até a maioridade ou ficam com famílias apadrinhadas que ajudam estes jovens, mas não se comprometem com a adoção.

Segundo Lilian, o processo de adoção é variável, dependendo das escolhas dos adotantes pela criança ou adolescente, “o processo não deve passar dos noventa dias, porém, na prática pode se estender por até seis meses ou mais”. Por isso é tão importante que os adotantes estejam abertos a querer adotar crianças fora do perfil que geralmente é procurado.

Depois da sentença que defere a adoção, a criança ou adolescente passa a ser filho do adotante com possível mudança de nome e sobrenome, e inserção dos novos pais e avós na certidão de nascimento. Geralmente, até a finalização do processo de adoção, a criança já está adaptada ao novo lar.

Sobre a perca do processo de adoção por parte dos adotantes, a advogada Lilian Cavalcanti conta que são raros os casos, e geralmente ocorre quando os pais biológicos desistem de doar os filhos e voltam a exercer o poder familiar.

Hoje, o principal perfil de adotantes, são famílias com os pais acima de quarenta anos de idade, que não conseguiram ter filhos por meios naturais e também não obtiveram êxito após tentativas de inseminação, Lilian conta que tem crescido também o número de casais homossexuais como adotantes.

Para que o processo seja bem encaminhado pelas duas partes interessadas, é importante preservar a história da criança e respeitar os seus limites O processo de aproximação de Marcos e Paula começou quando Mateus tinha um ano e seis meses. Hoje, Mateus tem pais que esperaram muito para faze-lo parte da família. “No caminho da adoção temos que ter muita força”, conclui a mãe do menino.

 

Fonte: Polêmica Paraíba