Beatles_Reprodução

Por Julinho Bittencourt, Revista Forum – Há exatos 55 anos os Beatles lançavam o seu primeiro álbum. Gravado em apenas um dia, “Please Please Me” escancarou a Beatlemania, primeiro para o Reino Unido e, pouco depois, para o mundo. Na época de sua gravação, a banda ainda não levada nem um pouco a sério, tanto pelos diretores da Parlophone Records quanto pelo seu produtor, o já então bem conhecido George Martin.

O único que apostava todas as suas fichas nos garotos era o empresário Brian Epstein. Os Beatles, por sua vez, não se incomodaram em gravar tudo de uma vez só. Pelo contrário. Para eles, tudo era uma grande aventura. Um sonho que começava a se tornar realidade e se tornaria muito maior do que todos naquele pequeno estúdio poderiam jamais supor.

Tudo foi feito em 9h e 45 minutos. O tempo suficiente para mudar, definitivamente, a história da música pop. Gravado em dois canais, quase todos os instrumentos de um lado e as vozes de outro, os Beatles se mostraram afiados. Eram uma banda que já tinha muitas e muitas horas de rodagem, tanto no Cavern Club, de Liverpool, quanto em vários muquifos da cidade de Hamburgo, na Alemanha.

Das 14 canções do álbum, oito eram da dupla Lennon/McCartney. Ao menos duas delas “I Saw Her Standing There” (em #130) e “Please Please Me” (#184) entraram para a lista de 500 melhores canções de todos os tempos da revista Rolling Stone. Além dela, o álbum traz ainda um cover que virou um dos grandes sucessos de toda a trajetória mais do que vitoriosa da banda.  “Twist and Shout”, da dupla também fabricante de sucessos Medley/Russell foi a última a ser gravada. Diz a lenda que depois dela, John Lennon não conseguia cantar mais nada, por conta do tanto que berrava.

O disco tem um sabor rockabilly. Ao ouvi-lo, quase podemos ver as costeletas, topetes e o xadrez das hamburguerias. Nele, os Beatles traziam todas as suas influências, seus ídolos, os vocais e tudo o mais que explodiu na década anterior. Há em “Please Please Me” um sabor extremamente ingênuo e juvenil que nunca mais se repetiu nos seus álbuns. Mesmo no seguinte “With the Beatles”, já havia uma certa sofisticação, um jeitão mais adulto que o anterior nem sonhava.

Eram, enfim, garotos a milhão, explodindo em hormônios, felicidade, ritmo e talento que fizeram um disco alegre e quase irresponsável. Imaginar que é a mesma banda que, apenas quatro anos depois, gravou o “Sgt. Peppers” é, no mínimo, irônico. No entanto, já estava ali sim, tudo o que poderíamos antever nesta que veio a ser a maior banda de rock de todos os tempos em todos os quesitos que se quiser avaliar.

Canções inesquecíveis como “Ask me Why” e “There’s a Place” e interpretações fulminantes, como a de Paul McCartney para a quase brega “A Taste of Honey”, já anteviam os grandes artistas, músicos, cantores e autores que eles se tornariam.

Beatles_Reprodução Imaginar o que se passou nesses 55 anos e o que poderia ter sido não fosse pelos Beatles é um exercício bem interessante. A única coisa que se pode garantir, sem nenhuma dúvida, é que o mundo seria bem mais chato.

Brasil 247 (22-03-2018)