Você está na faixa dos 16 a 20 anos e considera que o seu smartphone é o seu “melhor amigo”? Se a resposta foi sim, saiba que não está sozinho. Um estudo feito com brasileiros indica que quase metade (49%) dos jovens ouvidos segue essa dinâmica.

Além disso, 38% concordam que passam tempo demais utilizando o aparelho.

Conduzida pela Motorola e pela empresa Ipsos, a pesquisa ouviu 1.106 brasileiros para analisar os hábitos envolvendo o celular e identificar como as relações interpessoais se dão com o uso dos smartphones. O estudo completo ouviu 4.418 pessoas com idades entre 16 e 65 anos em quatro países – Brasil, Estados Unidos, França e Índia.

Confira abaixo outros dados interessantes sobre o Brasil e nas demais regiões.

Verificação compulsiva

Quantas vezes você verifica o seu celular para ver se chegou uma mensagem, se alguém te ligou ou se tem uma foto nova de um conhecido?

Segundo o levantamento, 48% dos brasileiros verificam o celular com mais frequência do que gostaria e 42% afirmaram que se sentem obrigados a verificar o celular repetidamente. Levando em conta os participantes dos quatro países, essa porcentagem fica em 49% e 44%, respectivamente.

Quando o recorte considera apenas a geração Z (nascidos entre 1995 e 2010), seis em cada dez pessoas verificam o celular mais do que gostariam.

Por quanto tempo usa o celular?

O estudo também quis saber dos participantes se eles concordam que passam tempo demais em frente às telas. O resultado foi que 33% dos brasileiros acreditam que ficam muitas horas usando o smartphone. Entre os jovens entre 16 e 20 anos esse número sobre para 44%.

Ainda sobre os brasileiros, a pesquisa aponta que 36% deles priorizam usar o celular a passar mais tempo com amigos e familiares. O curioso é que, apesar disso, 30% dos participantes afirmam que seriam mais felizes se passassem menos tempo no celular.

Os números brasileiros seguem a tendência global. Somando todos os entrevistados do estudo, 35% concordam que usam o telefone tempo demais e 30% dizem que seriam mais felizes se passassem menos tempo.

Pânico ao ficar sem celular

Sabe aquele momento em que você se dá conta de que perdeu o celular (ou acha que perdeu)? Então, mais da metade (56%) dos brasileiros ouvidos admitem que entrariam em pânico caso tivessem perdido os aparelhos. Para as gerações X (1961-1981) e milênio (a partir de 1981), isso seria ainda pior. Na média global, o volume aumenta para 65%.

Confira outras curiosidades levando em conta os quatro países:

  • 60% dizem que o smartphone sempre está ao alcance na hora de dormir
  • 59% indicam que quando se sentem sozinhos, eles verificam o smartphone
  • 56% dos participantes usam o celular para encontrar informações que precisam
  • 50% dizem que usam o celular para ficar conectado com o mundo
  • 51% afirmaram que algum membro da família já reclamou por estarem usando o celular
  • 49% usam para entretenimento
  • 48% acreditam que se não tivesse um smartphone, eles se sentiriam isolados
  • 33% dos participantes priorizam o smartphone em vez de passar mais tempo com os amigos, a família ou pessoas importantes
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Ficou preocupado?

Os resultados do estudo demonstram que os usuários – não só os brasileiros – amam seus celulares, mas boa parte tem consciência dos riscos do uso excessivo dos smartphones. Tanto que muitos concordam que suas vidas seriam melhores se houvesse um equilíbrio.

Por conta disso, é importante refletirmos: será que o uso do nosso celular atrapalha algum aspecto da nossa vida?

De acordo com a psicóloga Dra. Nancy Etcoff, especialista em comportamento e ciência da felicidade pela Universidade de Harvard, que ajudou a desenvolver a pesquisa, compreendermos nossos hábitos é fundamental para evitar esse uso excessivo.

“As pessoas estão usando tanto seus smartphones que suas vidas estão ‘fora de equilíbrio’. Elas usam seus smartphones quando é perigoso fazê-lo [como ao dirigir], quando outras pessoas pedem para que elas parem e mesmo quando participam de casamentos e funerais”, afirmou a Dra. Etcoff ao UOL Tecnologia.

“Devemos prestar atenção e perceber que muitas vezes respondemos sem pensar, verificando o telefone sem necessidade e ficando excessivamente ligado ao nosso celular”, acrescentou.

Para ajudar a encontrar esse equilíbrio, a psicóloga sugere práticas de atenção plena – como Mindfulness– e até o uso de aplicativos que auxiliem no controle de tempo que passamos no celular.

“Todos nós precisamos perceber que sim, estamos perdendo algo… ligado a vida ao nosso redor e sobre a conversa cara a cara com as pessoas que mais significam para nós”, concluiu.

Fonte: Uol

Créditos: Bruna Souza Cruz