celular_coronel_prova contra Temer

A quebra do celular do coronel Lima, operador de Michel Temer há décadas, traz a prova que pode resultar na terceira denúncia por corrupção contra o ocupante da Presidência da República; numa mensagem, Lima informa a Temer que “transmiti o recado”, numa referência ao empresário Gonçalo Torrealba, do grupo portuário Libra; este vinha tentando há meses uma audiência com Temer, que só foi obtida com a intermediação do coronel; depois disso, Temer renovou a concessão por vinte anos do grupo Libra, em Santos; antes do golpe, uma decisão da presidente legítima e honesta Dilma Rousseff impedia a renovação das concessões de empresas com dívidas junto à União – a do grupo Libra é de nada menos que R$ 2,8 bilhões; inquérito conduzido por Luis Roberto Barroso pode provocar a queda de Temer.

Michel Temer, que usurpou a presidência da República por meio de um golpe parlamentar, deve ser denunciado pela terceira vez. E mais uma vez por corrupção. Isso porque, no inquérito sobre propinas nos portos, apareceu uma prova direta de seu envolvimento e do seu principal operador, o coronel Lima, nos esquemas de Santos. Trata-se de uma mensagem enviada pelo coronel Lima ao próprio Temer, no dia 12 de agosto de 2015, em que ele afirma: “transmiti o recado”. A mensagem dizia respeito ao empresário Gonçalo Torrealba, do grupo Libra, que conseguiu renovar sua concessão, mesmo devendo R$ 2,8 bilhões à União.

Torrealba vinha tentando há meses uma audiência com Temer, que só foi obtida com a intermediação do coronel. Depois disso, Temer renovou a concessão por vinte anos do grupo Libra, em Santos, por meio de uma decisão do ministro dos Portos, Edinho Araújo.

Antes do golpe, uma decisão da presidente legítima e honesta Dilma Rousseff impedia a renovação das concessões de empresas com dívidas junto à União. Na carta em que se queixava de ser um vice decorativo, Temer protestou contra a demissão, por Dilma, de Edinho Araújo. “E a senhora não teve a menor preocupação em eliminar do governo o Deputado Edinho Araújo, deputado de São Paulo e a mim ligado”, reclamou Temer.

Agora, sabe-se por que Temer ficou tão incomodado com a demissão de seu protegido, reconduzido ao cargo após o golpe. No entanto, o inquérito conduzido por Luis Roberto Barroso pode provocar a queda de Temer, que escapou nas duas ocasiões anteriores torrando bilhões para comprar deputados. As informações sobre a quebra do sigilo do coronel foram obtidas pelos jornalistas Hugo Marques e Daniel Pereira e publicadas na revista Veja deste fim de semana.

Brasil 247