coluna tião lucenaAcabei de escrever um artigo de lauda e meia na queixo duro do Correio. Aquele papel amarelado, com picas e riscos, chegou às mãos de Letinho depois de muito trabalho para preenche-lo, pois ele ora era papel, ora era plástico e quando era plástico, mal segurava as letras.

Não há computador na redação. Até nisso Alexandre Jubert economiza. Volta ao passado para gastar o papel velho que sobrou da última fornada e obriga todo mundo a dedilhar as queixos duros vendidas pela Oliveti e pela Remington, a maioria delas com as teclas enganchando de tão antigas, sem contar as que estão sem fitas ou com fitas encardidas, sem tinta.

Zé de Valaque reclama do seu posto. Humberto Lira mal consegue informar as últimas mortes do dia. Só a zoada de kubi Pinheiro retratando o que de mais novo acontece no soçaite alegra um pouco o ambiente: “Madame Jeruza trocou de chapa depois de 40 anos, está com um sorriso linduuuu”, avisa Kubi, enquanto prepara a nota para a coluna de Abelardinho.

Eu nem sei sobre o que estou escrevendo. Falo da velha máquina portátil que eu pensara aposentada no porta mala do guarda roupa lá de casa e aviso a Toinho Hilberto que se da próxima vez continuar desse jeito, não escrevo mais.

-E quem vai sentir falta? -, gargalha Hilton Gouveia sentado ao meu lado,  remexendo seu maço de anotações para falar da mulher que virou assombração em Cabedelo.

Ainda bem que acordei e vim para o computador.