Universidade Estadual da Paraíba vai ministrar curso sobre
A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) vai oferecer um curso sobre “o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” com o mesmo programa do que será ministrado no curso de graduação em Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), que despertou a fúria e ameça de censura do ministro da Educação Mendonça Filho (DEM). A informação foi revelada ao ParlamentoPB nesta segunda-feira (26) pelo professor Agassiz Almeida, que está à frente do curso na UEPB.
Segundo o professor Agassiz Almeida, na Paraíba o curso será ministrado por 11 professores da UEPB, UFPB, OAB e Cebesp, com início previsto para o dia 4 de abril. Serão 80 vagas, gratuitas, para alunos da universidade e qualquer cidadão que queira participar.
O curso, segundo ressaltou professor Agassiz, visa garantir a autonomia universitária e discutir o golpe de um ponto de vista menos político e mais acadêmico.
“Ministro de Estado não deve ocupar o cargo para derrubar a autonomia universitária”, disse o professor em uma crítica ao posicionamento do ministro da Educação Mendonça Filho, que prometeu acionar o Ministério Público Federal (MPF), a Advocacia-Geral da União (AGU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar a disciplina . Mendonça prometeu investigar supostas irregularidades e identificar eventuais culpados.
Ainda segundo Agassiz Almeida, o curso que será ministrado na UEPB, no Campus III, em Guarabira, “Não é um curso de militância”.
UnB
Em Brasília, as aulas do curso de ciência política, que será ministrado pelo professor Luis Felipe Miguel, autor da proposta, começam no dia 5 de março, na retomada do semestre letivo.
A disciplina especial, que fez com que o ministro da Educação, Mendonça Filho, esbravejasse, já está com as vagas todas preenchidas e uma lista de espera de 40 pessoas.
Segundo o professor Luis Felipe Miguel, o objetivo da disciplina é estudar a ruptura democrática que culminou com a derrubada da presidenta Dilma Rousseff, a agenda de retrocessos sociais e de restrições à liberdade pelo governo Temer e analisar as possibilidades de restabelecimento do Estado de direito e da democracia política no país.
“Eu achei um absurdo. Não é possível que no âmbito de uma universidade pública alguém possa aparelhar uma estrutura para defender ideias do PT ou de qualquer outro partido. Estão transformando o curso numa extensão do PT e dos seus aliados”, esbravejou o ministro a jornalistas.
A direção da UnB afirmou os departamentos da universidade têm “autonomia para propor e aprovar conteúdos”, destacou seu “compromisso com a liberdade de expressão e opinião”, e reafirmou que as universidades são “por excelência” espaços democráticos para o debate de ideias.
Pelo Facebook, o professor Miguel, que também é doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), comentou a ameaça de censura, a “falsa polêmica” e o “estardalhaço” criada pela imprensa. Segundo ele, trata-se de uma disciplina “corriqueira” de interpelação da realidade à luz do conhecimento produzido nas ciências sociais.
“A única coisa que não é corriqueira”, segundo o professor, é a atual situação do país, e criticou o discurso que a cobrança por “imparcialidade” que, assim como no jornalismo, serve para silenciar opiniões e posições divergentes. “A disciplina que estou oferecendo se alinha com valores claros, em favor da liberdade, da democracia e da justiça social, sem por isso abrir mão do rigor científico ou aderir a qualquer tipo de dogmatismo”, defendeu o professor.
Unicamp também ministrará disciplina
O curso e o professor ganharam novos novo aliados. Além da UEPB, o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp criou uma disciplina com o mesmo nome e teor da que será ministrada por Luis Felipe Miguel, na UnB.
No caso da Unicamp, cada professor dará uma palestra no curso como forma de se solidarizar com Luis Felipe por conta da atitude do ministro Mendonça Filho, que teria ameaçado a UnB e o professor com todos os dispositivos possíveis para intimidá-los.
A disciplina na Unicamp também terá praticamente o mesmo conteúdo da oferecida pela UnB, um ato de solidariedade e de desobediência coletiva contra o autoritarismo e agressão contra a autonomia universitária e liberdade de cátedra.