Filme premiado em Berlim tem participação do senador Cássio. Documentário é sobre o impeachment de Dilma e causou ‘furor’ na mídia europeia.

Por Lúcio Vilar  – Especial para o Polêmica Paraíba

Após o desfile da escola Paraíso do Tuiuti, o mais politizado da historia dos últimos anos e que virou hit na internet e na mídia internacional, o governo Temer voltou, essa semana, às manchetes com a exibição do filme “O Processo”, da diretora brasileira Maria Augusta Ramos. O longa-metragem foi ovacionado em todas as sessões realizadas e premiado neste sábado como Melhor Documentário na opinião do público da Mostra Panorama, a segunda mais importante do Festival de Berlim.

O documentário acompanha a crise política que afeta o Brasil desde 2013 sem nenhum tipo de abordagem direta, como entrevistas ou intervenções nos acontecimentos. A diretora Maria Augusta Ramos passou meses no Planalto e no Congresso Nacional captando imagens sobre votações e discussões que culminaram com a destituição da presidenta Dilma Rousseff do cargo.

Foi nessa busca dos bastidores que cercaram o processo de apreciação e julgamento da então presidente Dilma que a cineasta reuniu cerca de 400 horas de imagens que resultaram em um filme de duas horas e 17 minutos.

A diretora contou que teve acesso a reuniões da liderança da esquerda e da minoria que era contra o impeachment. Segundo ela, a oposição não lhe deu o mesmo acesso. “Se tivesse dado, eu certamente teria filmado mais. Mas eu acho que era importante, sim, apresentar o argumento da direita, o argumento pró-impeachment”, disse. (veja entrevista na íntegra em: https://www.cartacapital.com.br/cultura/nao-sou-ativista-diz-diretora-de-documentario-sobre-impeachment)

Foi então que ela fez uma revelação curiosa ao citar um senador paraibano que está no filme como um dos porta-vozes do discurso da oposição:

– Eu escolhi, por exemplo, o senador Cássio Cunha Lima, que tem uma lógica de argumentação inteligente, ou que, pelo menos, faz sentido. Também, a advogada Janaína Paschoal, que, independentemente de você concordar ou discordar dela, teve um papel essencial no impeachment. Essas pessoas são ouvidas e contempladas no filme, mas, sem dúvida, eu tive muito mais acesso à perspectiva da esquerda”, explicou.

Opinião

Embora o filme só tenha data prevista de lançamento para o meio do ano, é certo e líquido que chegará às salas brasileiras com razoável expectativa de bilheteria. E isso por uma razão muito simples: diferente de situações políticas traumáticas como o golpe civil-militar de 1964, cujos filmes ficcionais ou documentais sobre o tema só puderam ser produzidos dez ou quinze anos depois, “O Processo” apresenta substancial vantagem de ter sua estreia ainda no ‘calor da hora’, digamos assim, uma vez que se tem pouco mais de um ano da consumação do processo de impeachment de Dilma.

Embora também não tenhamos elementos para o exercício da crítica, afinal o filme só foi visto em Berlim na semana que passou, a diretora deixa claro nas entrevistas concedidas seu equilíbrio na condução do documentário ao afirmar, categórica, que não é exatamente uma “ativista”, como alguns podem pensar.

– Eu acho que um filme, um documentário, não pode ser só a minha visão como ser social e político. Eu não faço filmes para defender uma tese. Se eu soubesse o que dizer, eu diria em duas linhas. Um filme tem que retratar um momento, retratar os argumentos de ambos. Eu não sou ativista, eu sou diretora de cinema. Essa é a minha contribuição para esse momento que estamos vivendo.

Por último, não há dúvida de que o fato de o filme contemplar um senador paraibano, em muito atiçará a curiosidade e interesse locais pela obra quando de seu lançamento na província. Esperar para conferir. (LV)