Para propagar uma notícia falsa, as conhecidas e polêmicas “fake news, basta um pequeno investimento e conhecimento técnico. Essa é a conclusão de um estudo do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Aplicações de Vídeo Digital, da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), tema de matéria veiculada pelo Fantástico, da Rede Globo, no último domingo (25). A preocupação com a propagação de notícias falsas cresce impulsionada principalmente pela proximidade das eleições.

No estudo foi criada uma notícia falsa sobre a previsão de um vidente de que a Seleção Brasileira venceria a Copa do Mundo da Rússia. De acordo com o professor Carlos Eduardo, do Centro de Informática da UFPB, não foi analisado quais veículos de comunicação sucumbiram à fake news. O professor afirma que a proposta era analisar como funciona o ‘disparo’ da notícia falsa.

“Nós queríamos verificar tecnicamente como funcionaria a viralização de uma fake news. Se precisaria de muito dinheiro, se é difícil fazer. Eram essas perguntas que queríamos responder. Percebemos que é algo muito fácil. Nos termos técnicos não é difícil, e que o precisa mesmo é de investimento, de dinheiro”, explicou o professor ao Portal MaisPB.

O professor ressaltou que além de espalhar a fake news, o grupo de estudo teve o cuidado de dar sustentabilidade a ela, por exemplo, através do visual das páginas em que foi inserida. Foi criada então uma rede de confiança fake. “Criamos um site falso, que apontava para um site na Inglaterra como sua fonte, mas que também era falso e esse site também apontava uma terceira referência, de um site Russo, que também era falso”, explicou.

Algumas pessoas questionaram o teor da notícia, mas acreditando que aquilo tinha sido uma pauta jornalística, não questionaram a veracidade. O professor observa que se tivesse ocorrido um investimento maior na propagação, o alcance da notícia falsa seria consequentemente também maior. “Com pouco dinheiro e conhecimento técnico se consegue criar e espalhar uma notícia falsa”, pontua.

Ele não descartou um possível estudo sobre propagação de fake news durante campanha eleitoral na Paraíba este ano. “Se o grupo estiver pesquisando assuntos relacionados, podemos usar alguma mecanismo, tecnologia para tentar categorizar fake news na política”, disse.

MaisPB