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Vista da fachada do Palácio da Redenção, sede do poder executivo do estado da Paraíba, em João Pessoa

Por Geraldo Luiz
Apesar da autoproclamada candidatura do senador José Maranhão ao governo do estado, a indefinição dos nomes que concorrerão ao Palácio da Redenção em outubro na Paraíba ainda é uma incógnita. Tudo pode acontecer, inclusive nada, no apagar das luzes do dia 7 de abril, fim do prazo de desincompatibilização para quem pretende se candidatar a algum cargo executivo.   

O governador Ricardo Coutinho, por exemplo, poderá surpreender seus principais adversários e substituir João Azevedo pelo nome de um emedebista, que poderia ser Veneziano ou Maranhão, para não entregar de mão beijada a disputa com Luciano Cartaxo pelo comando do estado. 
De igual modo, Ricardo poderá dar um xeque-mate nos seus adversários e apoiar o prefeito de João Pessoa, forçando Maranhão e Cássio a se unirem num ‘abraço de afogado’, com um ou o outro na cabeça da chapa oposicionista.     
Não se pode esquecer que há sempre um grau de imprevisibilidade quando o assunto é disputa eleitoral. Pois, quando o assunto é poder as forças externas e o fato novo teimam em dar as caras. E, na disputa de 2018, as coisas não fogem a esse roteiro.
O governador Ricardo Coutinho pode está blefando quando diz que ficará até o fim do mandato, apesar de aumentar as chances eleitorais do seu grupo se realmente ficar no cargo. Mas, além de ser um jogo arriscado, dificilmente isso se tornará realidade.
É factível, no entanto, a escolha do governador pelo nome de João Azevedo, que volta a ser cotado para assumir uma disputa executiva pelo PSB, sigla que vende a ideia de que Ricardo seria substituído por um clone. Tão evidente quanto as opções dos nomes de Maranhão e Cartaxo pela oposição, cujos nomes têm mais densidade eleitoral para a disputa estadual. Isso foi demonstrado por ambos no pleito do ano passado, quando derrotaram o esquema de Ricardo Coutinho nas principais cidades. 
Justamente por conta das opções otimistas dos dois oposicionistas, acrescido ainda do nome do prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues, além do senador Cássio Cunha Lima, vem a dificuldade da escolha, embora apenas Cássio e Cartaxo sigam para disputa de outubro com razoável expectativa de poder.
Em contra partida, Ricardo prega que é preciso manter o que ele considera a ruptura com o “modelo ultrapassado de governar”, como pretende que seja assimilado pela população para suplantar a falta de peso eleitoral de João Azevedo. Isso, porém, não aconteceu na eleição de 2016. 
Conclui-se que na base socialista não há outra opção que tenha voto, pois qualquer nome indicado pelo grupo depende do guarda-chuvas e da estrutura de poder criada pelo governador. Daí, explica-se por que muitos cobram a permanência de Ricardo até o fim do mandato, mesmo tendo como certa uma eleição vitoriosa para o Senado Federal em seu favor.
Do lado da oposição, com mais opções de escolha, há uma certa dificuldade de acomodação de tanta gente no mesmo guarda-chuva, embora a equação possa ser fechada com Cartaxo disputando o governo mesmo com Maranhão impondo o próprio nome na disputa. Haverá, contudo, espaço para dois senadores na chapa, que poderão ser Cássio e Lira – ou então Aguinaldo Ribeiro -, além de quatro suplentes, e ainda a vaga de vice-governador. Uma equação que se fecha com as chances diminuídas depois que Maranhão se lançou candidato com a finalidade de massagear o próprio ego, favorecendo-se de uma legenda sob o seu comando.
Por conta de tudo isso, embora as pedras estejam bem postas no xadrez de 2018, governistas e oposicionistas tentam fazer mistério sobre possíveis candidaturas quando os nomes para disputa do governo já estejam escalados.