Tião Lucenaentretenimento

1 – Eu às vezes tenho raiva porque nasci lá pra trás, nos antigamentes e não estou no grupo de rapazes e moças que caem na gandaia carnavalesca beijando, apalpando e até mesmo coisando sem cerimônia e sem compromissos. Porque nos carnavais de hoje a coisa está muito ótima demais, liberou geral. Tem até médico dando conselho, orientando, dizendo que os beijadores tenham cuidado para não pegar doença do figo!

2 – No tempo de nóis era bom, gostoso, mas o cabra tinha um certo trabalho pra conseguir emplacar uma namorada. E o namoro de carnaval durava pelo menos quatro dias. Nos de hoje, nem namoro existe, é um pegar e largar da bixiga. Por isso que tem moça que volta pra casa totalmente avariada, sem poder mijar ou sentar de frente.

3 – Até no interior a coisa modificou-se. No meu tempo, os blocos desfilavam, havia o entrudo, meninos e moços molhando uns aos outros, jogando talco nas pessoas e se fantasiando de caretas.À noite os bailes aconteciam nos clubes, Manoel Marrocos dava show no saxofone, Bixota de Maria Antonia solava Vassourinhas no seu trombone de pistos e os passistas invadiam os salões com suas fantasias coloridas, jogando confetes para o alto e cantando Máscara Negra.

4- Agora fica todo mundo postado na praça escutando Wesley Safadão, Anita e Zezé de Camargo cantando toadas sem sabor, muitos deles enchendo o quengo de cana para soltar a franga ou então agarrar a franga mais próxima para fazer aquilo.

5 – Mas que ficou fácil, ficou. Não carece de conversa, de lábia, de promessas doces ou de rapaduras saigadas. Basta encostar, agarrar e que Deus seja louvado. Ficou tão fácil que tem nêgo que beija, apalpa, agarra, esfrega e não sente nem uma coceirinha na beirada do ovo.

6 – Mas deixemos para lá, a mocidade gosta e ao velho só cabe reclamar com inveja, porque nos tempos de agora ele só tem direito a bater na testa da perseguida e lamentar, gritando: “Já fui bom nisso!”