Campanha do "Pequeno Manual Prático de Como Não Ser um Babaca no Carnaval" do Recife viralizou nas redes sociais e chega à terceira edição neste ano

Nos últimos anos, o combate ao assédio em uma das principais festas brasileiras tem mobilizado cada vez mais mulheres, organizações não-governamentais e demais grupos de proteção dos direitos da mulher. Além das redes de apoio criadas e iniciativas originadas em movimentações orgânicas de mulheres – que tomaram coragem e passaram a denunciar o assédio sofrido nas ruas durante o período da festa –, governos e prefeituras também passaram a lançar campanhas para conscientizar os foliões.

O movimento de campanhas de órgãos de governo tem se fortalecido desde 2016, quando a organização do carnaval do Recife lançou a primeira edição do “Pequeno Manual Prático de Como Não ser um Babaca no Carnaval”, que viralizou na internet. A campanha traz, desde então, imagens com mensagens diretas chamando a atenção para comportamentos de assédio e com o telefone do Liga Mulher, uma linha gratuita do Centro de Referência Clarice Lispector, que acolhe e orienta mulheres em situação de violência.

“Se tá difícil de entender, a gente desenha! Brinque o carnaval com respeito”, dizia a primeira edição. Desde então, as imagens viralizaram na internet. “Beijo forçado é crime. Além de ser coisa de mamão”, é uma das mensagens da primeira campanha. No Recife, “mamão” é uma gíria que identifica uma pessoa babaca, de acordo com o esclarecimento na descrição do próprio manual de 2018. Neste carnaval, a campanha traz a hashtag #BabacaNãoTemVezNoCarnaval e o personagem “Zé Mamão”, demonstrando as atitudes consideradas assédio.

“Já cheguei descendo a ladeira, fazendo poeira e atiçando o calor. Dizendo sim ou dizendo não, eu vou pegar quem for”, diz o personagem Zé Mamão em umas das ilustrações. A resposta vem de uma figura fantasiada de vampiro: “Não é não, boy. Forçar alguém a ficar com você tem nome: estupro. E é crime”.