O cantor e compositor paraibano Geraldo Vandré está novamente no Estado, desta feita graças a um convite do governador Ricardo Coutinho para desenvolver um projeto de música sinfônica com a Orquestra local. O músico revelou que tem algumas composições no piano e que a conversa com Ricardo começou na sua vinda em 2015, mediada pelo organizador do Fest Aruanda, Lúcio Vilar. Vandré afirmou que é sempre muito gratificante poder voltar. E contou que quando veio ao Fest Aruanda foi bem recebido pela Paraíba. “Recebi carinho e afeto”, emendou

Ele foi lembrado pelo festival da sétima arte por suas composições para a trilha sonora de A Hora e a Vez de Augusto Matraga, um clássico do cinema do diretor Roberto Santos, lançado em 1966 em escala nacional. Além do trabalho com a Sinfônica, Geraldo Vandré continua compondo música popular, embora não tenha planos de, tão cedo, divulgar as criações. “Eu espero que possa apresentar essas músicas daqui a muitos anos, pois aí eu terei mais um tempo de vida”, brinca o autor e compositor de músicas que viraram hinos da resistência estudantil-cultural contra a ditadura militar instaurada em 1964 no país.

Pouco afeito a comentários sobre a conjuntura política, até por entender que ela está muito controversa no Brasil na atualidade, Geraldo Vandré mostra desconforto com a polarização ou maniqueísmo existentes e a falência das instituições políticas brasileiras em meio a denúncias de corrupção envolvendo expoentes do cenário político. Vandré teoriza a respeito desse momento atípico vivido pelo país: “O homem é um animal político mas existe uma confusão entre política e eleição. O Brasil está difícil e vai continuar assim enquanto as pessoas continuarem a confundir as duas coisas”. Em 2015, quando Vandré completou 80 anos, o “Correio da Paraíba” entrevistou Vitor Nuzzi, autor da biografia Geraldo Vandré- Uma Canção Interrompida. Na opinião do biógrafo, as discussões sobre política acabaram afastando Vandré da vida pública e isso acabou afetando sua vida artística.

– O que eu acho prejudicial a respeito dessas polêmicas é que elas acabaram ofuscando a contribuição que ele deu à arte brasileira na época – adiantou. Por sua vez, indagado a respeito do assunto, Geraldo Vandré foi sucinto: “Tudo que falam ou deixam de falar me afeta enquanto artista”.

Da Redação, com “Correio da Paraíba”