Marcos Maivado Marinho

A mais bela mulher da Paraíba de todos os tempos, eleita Miss do Estado representando Campina Grande – Kalina Lígia Nogueira – e que no Rio de Janeiro para a disputa do Concurso Miss Brasil foi apontada pela imprensa como favorita ao título que, inexplicavelmente, não conquistou, revelou agora, 53 anos depois, as razões do insucesso que frustrou os paraibanos.

O concurso Miss Brasil era tão popular quanto a Copa do Mundo de Futebol, conta o museólogo e historiador Walter Tavares, atualmente se dedicando a um projeto especial no Museu Histórico de Campina Grande, que está passando por recuperação do prédio: dedicar um setor às mulheres que fizeram a história da cidade, entre as quais a beleza mitológica de Kalina Lígia.

“Os anos 1950 e 1960, marcam a época de ouro dos grandes concursos de miss, em que o Brasil parava para eleger as representantes nacionais ao título máximo da beleza: a Miss Brasil”, informa Walter para lembrar que foi no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, em junho de 1963, que uma jovem de Campina Grande causou frisson: Kalina Lígia Nogueira, Miss Paraíba, que despontou desde o início do concurso daquele ano como a mais forte candidata ao título de Miss Brasil, a ponto de ser considerada pela imprensa nacional que cobria o evento como a mais fotogênica.

Segundo conta Walter, foi a mais famosa e importante revista semanal do Brasil na época, O CRUZEIRO, fundada por Assis Chateubriand, que não economizou elogios à beleza da paraibana, elegendo-a o rosto mais bonito do concurso e comparando-a ao maior símbolo de beleza do cinema italiano nos anos 60, a atriz Anita Ekberg.

Apesar da beleza do rosto, de um corpo perfeito e de uma apresentação impecável que levantou 30 mil pessoas no Maracanãzinho, a Miss Campina Grande e Miss Paraíba não foi, inexplicavelmente, classificada entre as finalistas.

Campina Grande e a Paraíba se frustraram, e Kalina silenciou durante 53 anos.

Médica conceituada na cidade de Santos, em São Paulo, onde mora há poucos meses, a ainda bela ex-Miss resolveu contar a verdade.

O pai da miss, Seu Alonso Nogueira, figura querida na Campina Grande dos anos 60, acompanhou a filha até o Rio de Janeiro. Boêmio que era, animou-se com a popularidade da filha no concurso Miss Brasil e tomou umas doses a mais na véspera do desfile e no Maracanãzinho, pouco antes do início do concurso, discutiu com o júri oficial do evento, que de imediato e injustamente desclassificou a representante da Paraíba antes ainda do início da sua apresentação.

Kalina, apesar de ser a favorita da grande noite, já começou a desfilar sem chances de classificação, conta Walter Tavares em postagem no seu perfil do Facebook.

A vencedora foi a representante do Rio Grande do Sul, Yeda Maria Vargas, que também venceu o concurso Miss Universo daquele ano. Pela lógica, se Kalina era considerada a mais bela, a preferida da imprensa e do grande público, e não tivesse acontecido o incidente do seu genitor com o júri, ela fatalmente teria sido Miss Brasil e, muito mais bela que Yeda, teria tido todas as chances de ser Miss Universo 1963.