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Algumas pessoas têm um poder especial de fazer a energia fluir. Como se iluminassem o ambiente a que chegam, deixando todos à vontade, espalhando sorrisos e good vibes. Esse sentimento ganhou nome e sobrenome por aqui: Paolla Oliveira.

Depois de uma tarde inteira com ela, comprovamos: Paolla é gente fina real-oficial. E que pele, braços, dentes, derrière… Para viver Jeiza, a protagonista-sucesso da novela global A Força do Querer, a paulistana intensificou a malhação e focou na alimentação saudável. Resultado? Secou, ganhou massa e transformou o corpo. “Foi a forma que encontrei para conseguir a postura e a força que a personagem exige”, conta ela, que também alongou e clareou os cabelos para convencer no papel da policial que sonha em ser lutadora de MMA.

Antes do início das gravações, a atriz chegou a treinar luta cinco horas por dia e a seguir uma alimentação balanceada, indicada pela nutricionista carioca Patricia Davidson (tipo café com óleo de coco e mandioca ou inhame e queijo antes de malhar). Mas, gente como a gente que é, Paolla agora vem apostando na lei da compensação: se não malha, come menos; se manda bem nos treinos, permite-se até uma cervejinha. Tudo sem noias.

Aos 35 anos, ela parece confortabilíssima na própria pele – o que fica claro, cristalino nas fotos que você vai ver. “Hoje me libertei da sensação de precisar provar coisas por ser bonita. A beleza não pode ser um fardo, é minha aliada”, diz, em resposta à pergunta sobre beleza e talento feita pela atriz Claudia Raia, uma de suas melhores amigas e nossa repórter especial na entrevista a seguir.

As duas não se desgrudam desde a estreia da Paolla na Globo, em 2005, quando interpretaram mãe e filha na novela Belíssima. “Foi um amor imediato. E eu a adotei. Desde esse momento temos mesmo uma relação de mãe e filha postiça. Ela trata meus filhos [Enzo, 20 anos, e Sophia, 14] como irmãos. Quando vai tomar uma atitude sobre a vida pessoal ou profissional, sempre pede minha opinião. E geralmente a acata! É uma menina de uma alma branca, um coração muito, muito puro. Tenho paixão por ela e, se depender de mim, vou cuidar da Paolla até o fim dos meus dias”, derrete-se Claudia. Aproveitando que intimidade é o que não falta… Manda ver nas perguntas, Claudia?

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Vamos começar do começo: você era uma criança criativa? Sempre fui muito tímida. Acho que isso tolheu bastante minha criatividade e mudou a criança que eu poderia ser. Mas sempre há tempo para descobrirmos nossa criatividade e libertar a criança que ainda existe dentro de nós.

Dava indícios desde cedo da sua vocação de atriz? Eu amava dança e acho que foi a primeira arte que libertou meu ser. Dançando me sentia leve, solta, bonita e feliz: me descobri. Por causa da arte, me tornei uma mulher mais criativa, mais espontânea, extrovertida e leve.

Acha que foi uma adolescente rebelde? Fui uma adolescente quieta, observadora, muito certinha, mas nunca deixei de ter opinião. Mesmo quando ela não era bem aceita. De alguma forma, sempre trazia questões e mostrava meu ponto de vista por meio de argumentos. Acho que, por isso, meu pai talvez respondesse que fui rebelde, sim.

Você escolheu essa profissão ou foi ela que te escolheu? Acho que essa profissão me escolheu. [Paolla começou como modelo na adolescência, mas chegou a se formar em fisioterapia antes de virar atriz]. Com o tempo, me dei conta da grandiosidade dela e comecei a fazer as minhas escolhas. Desde então, minha opção é sempre pelo trabalho incansável, mas que me faça ter prazer todos os dias.

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Quando descobriu que era bonita? Em que momento teve esse estalo? Ou ele nunca ocorreu? Bonita é você! De verdade, Claudia, você é uma mulher que esbanja beleza. E, mais que isso, tem a beleza que eu admiro e que acho a mais duradoura: a de espírito. Consegue ser forte e doce, delicada e leoa, tudo ao mesmo tempo. Uma mulher inspiradora, precisa – e grande [risos], das pernas ao coração. Considerando tudo isso, falando de mim, descobri que me sentia bonita quando entendi que poderia me expressar como achasse melhor. Quando percebi que podia ser eu mesma no trabalho e na vida, quando entendi que tenho voz e que meu poder esta aí.

E como foi isso? Foi amadurecendo dentro de casa, trabalhando… Aos poucos, fui me conhecendo e sendo responsável pelo que dizia e pelas minhas escolhas.

É muito difícil olharem seu talento como atriz antes da beleza? Isso te frustra? É difícil, viu? Mas hoje me libertei dessa sensação e não me sinto frustrada. Trabalho para construir uma carreira sólida e não me preocupo mais em provar aos outros o que sou capaz de fazer. A beleza, assim como o humor ou o estilo, não pode ser um fardo. Agora sei que ela tem que ser uma aliada e não um motivo de punição.

O que você quer ser quando crescer? Digo na maturidade… Quero estar feliz com o caminho que escolhi e certa de que ainda tenho muito para aprender, independentemente da idade.
Mas você se vê trabalhando até bem velhinha? Quer diminuir o ritmo ou continuar ativa? Eu me vejo na ativa sempre! Mas isso não quer dizer que estarei no mesmo ritmo e fazendo as mesmas coisas. A vida tem seu curso e é inteligente observá-lo e respeitá-lo.

E quais seus desejos como mulher? Tem vontade de ser mãe, por exemplo? Quero continuar construindo minha carreira, ter minha família e ser feliz – tudo a meu tempo. E, sim, tenho vontade de ser mãe.

Para ser Paolla Oliveira é preciso ter… Uma vontade de viver danada e a capacidade de transformar dificuldades em aprendizados. Ah, e ter contato com a natureza.

Quais as três coisas que você eliminaria do mundo se pudesse? Com certeza a intolerância, a corrupção e a desigualdade. Tantas coisas horríveis nascem delas! As três caminham juntas, basta ver este momento que vivemos no País. Tanta desigualdade é fruto da corrupção que arrasa com o nosso Brasil. E a intolerância nos deixa burros, sem respeito nenhum pelo próximo.

O que é o feminismo para você? E como se relaciona com ele? Para mim, feminismo é lutar por igualdade. É tomar consciência da própria condição, fortalecer a sua identidade e batalhar por seus direitos. Feminismo tem a ver com homens e mulheres. Sobre como criar homens que se permitam ser mais sensíveis e tolerantes e mulheres que consigam ser fortes sem se envergonhar disso. Quando o mundo entender que qualidade não tem gênero, a luta estará quase vencida.

Que mulheres você considera inspiradoras? Minha mãe [a estudante de medicina Daniele], a ministra [do Supremo Tribunal Federal] Cármen Lúcia e, na profissão, as atrizes Laura Cardoso e Meryl Streep, que têm trajetórias e condutas pessoais incríveis.

Quais são seus sonhos artísticos? Aonde quer chegar? Desejo ter possibilidades de me desafiar como atriz, sempre fazendo coisas novas, e ainda assim viver e me sustentar do meu trabalho.

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