Ver uma entrevista em que um delegado fala, a partir do depoimento de um dos suspeitos preso pela morte da jovem Vivianny Crisley, que a mesma foi assassinada porque “gritou demais” é como “enfiar” uma faca no nosso coração.
Quantas mulheres ainda irão morrer até chegar o dia que a gente possa viver em paz?   Quando iremos ter o mínimo de liberdade de ir e vir sem estar preocupada ou amedrontada o tempo todo pelo medo de ser espancada, estuprada, de ser morta, porque gritou demais, porque ficou calada, porque saiu de casa, ou ficou trancada a sete chaves, porque estava bêbada ou sóbria?
Nascer mulher numa sociedade que maltrata, humilha, trata como objeto, oprime e naturaliza a violência a cada vez que tira de nós a capacidade de ser, lutar e viver nos “matando” diariamente é difícil.
Isso nos leva a uma reflexão de como precisamos unir forças. Só ela será capaz de conseguir uma mudança no triste índice de violência contra a mulher.
Que possamos lutar por um futuro melhor, se não para nós, ao menos para as mulheres que viverão depois de nós.
Que cada uma de nós possa fazer reflexão de uma das frases mais conhecidas de Audre Lorde: “Eu não serei livre enquanto houver mulheres que não são, mesmo que as suas algemas sejam muito diferentes das minhas”. Que ao ler, presenciar ou até mesmo partilhar de qualquer violência contra mulher cada uma de nós possa ter forças para lutar contra tudo que nos aprisiona, faz vítima e mata diariamente.  Só a partir do momento em que a sociedade sentir-se “dentro” da dor de todas nós, estaremos “libertas” aqui na terra, ou no mínimo livres para viver de maneira “normal” nossas vidas.